Poema II.

9 de dezembro de 2009 by

Ilustração, por Raphael Boccardo.

Poema II.

Formentando formas de férteis
Fossas de fúteis e fáceis formas,
Filho do fardo fadado ao falho feminino da faísca fúnebre.

Sendo semblantes sérios
Sagrados e solitários cegos,
Somente sinais sedosos sempre certos de suplicações.

Frases fatais foram feitas
Em virtudes, vivas de voltas vertentes
E suaves sedas sedosas, suei formosos e vivos suores.

Em vão se vai o coração,
Menção e emoção se dispersa em tensão e comoção.

Raphael Boccardo.

Lolitas e Lolita

8 de dezembro de 2009 by

Copacabana Club, por Willian Prado

Lolita pede um amor que não sente falta,

mas gostaria de saber como é sentir-se insegura,

saber como é estar em maõs vindas em sentido contrário ao seu corpo.

Lolitas mentem sem saber porque mentem.

Lolitas estão sempre certas.

Lolita sempre diz a verdade sem o medo de perder próximos. Mede seus medos, mas não mede seus erros,erra por tentar acertar.Não perde o sorriso nem o olhar.

Lolitas traem seus conflitos internos e seus desejos.

Lolita escreve uma carta, ela vai ser lida em alguns dias por seus pais. Ela está voltando da Europa.

Lolitas submergem, Lolitas vai voltar em dois dias e o sambista pode enriquecer novamente suas letras pois o amor de Lolita vem entre Lolitas que pecam seus versos.

Lolita traz um presente, ela nunca mais vai andar sozinha e o sambista nunca mais à deixará sozinha.

“Você vai ser pai” diz a carta

“Eu te amo, estou com muita saudade, a distância só me fez ver isso” dizem ambas as cartas.

Lolitas não tem o que Lolita tem, o que ela traz em seu coração, e em seu ventre.

Formação da saudade e do caráter.

3 de dezembro de 2009 by

Poema n°1

Não sou outro nem ninguém
Nada além dos pés fincados,
Que sem você torna-se vazio
Essa mortal e única faixa litorânea.

Essa vontade de dissolver o peso
Abafado nas ruas de São Paulo.
Dos faróis lotados de trabalho,
Martelando e forçando o barulho
Comovente na melodia,
Melosa como o mar de ideias
Que estende-se para além do Atlântico,
De ventos do Sul arrepiando nossos corpos,
Da natureza que rolamos de prazer liberto
Como nuvens sem propósito da criação.

A pura e sorte criação das explosões sem sentido,
O amor nada além do infinito.

Da realidade verdade amada,
Terra dourada,
São Paulo.

Raphael Boccardo.

Soneto Da Construção.

26 de novembro de 2009 by

Em Uma Tarde Chuvosa. Por Willian Prado.

 

Soneto N°7

Vejo a neblina no horizonte,
Fitando os desejos de largas esperanças,
Azuis de tons aquarelados
Na fronte de manchas brancas.

Para alcançar o peito do bravo trabalho,
Tentando na vida, mergulhada em futuros,
Alcançar o crisântemo perdido
No pó do outono inacabado.

Pois entre mulheres nesses versos febris,
Com adjetivos e hipocresias de palavras
Jogadas ao léu da poesia forçada.

Ideias que se perdem e versos toscos
Alegram o dia humilde do humilde,
Mas não abafam os temores do poeta.


Raphael Boccardo.

19 de novembro de 2009 by

Realidade Azul, por Willian Prado

Estrutura Composta de areia e pedras

A conversa inicial se passa por assuntos tolos, triviais, os dois procuram um solo fértil ou um solo desértico onde nada traz fascínio e não se leva à lugar nenhum.

A ilusão do próximo estágio consiste em inverdades ambientadas em palcos que interligam as afinidades superficiais, ocultando como um ilusionista os atos falhos de uma persona  que até o momento se compõe incompleta.

Fantasiado pela superfície, você se vê densa e absorvida entre seus sonhos acordados  que recriam todo o manto de beleza que de ora desnuda e incompleta se passa por idealizada e utópica fantasia real.

Vendo visões em um vazio ocupado, ambiente isolado por linhas imaginárias e ambições super estimadas.

Trajado de lentes foscas o covarde ambiente desse solo antes fértil agora desértico, e a rotina catastrófica que ora fora sua prisão, agora uma beldade física, um desenho pitoresco de traços femininos que antes borros que foram perdendo a forma com o movimento voraz da velocidade imprecisa e cortante de uma mergulho sem sentido em uma piscina de areia e pedras.

Willian Prado

Reflexões.

19 de novembro de 2009 by

Pintura a óleo. Por Raphael Boccardo.

Soneto n°6

Inacessível quintessência do grão
Que torna-se o desejo logrado,
Minha outrora virgem esperança,
Desvaneia sobre a morte do acalanto.

Perdição em efemiridades sobre
Os rios de cinza escuro.
Da vertiginosa virtude, a morte.
Da esperança angústia, a alegria.

Na sombra da demasiada ventura,
A enganosa fortuna reconheço,
E me engano na vaidade do engano.

Mas a dúvida da fé inexistente,
Onde a luz reflete a mágoa,
Do relâmpago da desgraça latente.

Raphael Boccardo.

Soneto da Respiração.

6 de novembro de 2009 by

Três estátuas no lago. Por Willian Prado.

Soneto N°5

Espumas me faltam nesse raio de asfalto,
De fumaças cinzas que sufocam até minha alma,
Que discutem até o final do dia,
Que lutam por respirar em florestas densas e escuras.

Falta-me o alento e o acalanto de abraços nus e perfumados,
Para livrar esses odores de enxofre e carbono,
Para exalar suas pedras espumadas de conchas e pêssegos,
Para tocar em molhadas vestes de seda, ásperas e macias.

Vamos embora! – dessas indústrias contínuas sem fim,
De falsos anonimatos postados em prantos,
De vertentes abafadas de correrias sem fim, de nervosismos talvez.

Me leve para o gozo das praias e das árvores,
Me leve para o sol fresco coberto por redes,
Me leve talvez, para atrás de perfumes sedosos e doces verdes.

Raphael Boccardo.

Volume 4

5 de novembro de 2009 by
tarde no parque

Tarde no Parque, por Willian Prado

int. apartamento/quarto/sala dia

Julio acorda, levanta e vai até o banheiro. Fecha a porta.

Marina acorda e abre as cortinas.

Julio vai até a porta, pega os jornais, deixa na mesa e vai até a cozinha. Coloca leite com groselha em um copo e vai para a mesa pegando o telefone e discando sentado.

Marina acenou um bom dia para Julio e vai para a cozinha.

JULIO

Oi, tudo bem? É o Julio de Andrade Samus…

…é o escritor, e então quais são as novidades?

Marina pega jarra de suco e a bandeja de torradas e senta à frente de Julio que fica parado com o telefone na sua mão.

E então quais foram as críticas.

JULIO

Eles disseram que não teve novidades, foi mais uma história do mesmo escritor, com temas semi-autobiográficos que se tornou comum, e que eu só poderia me tornar um escritor de verdade quando eu conseguir escapar desse estereótipo e criar uma história totalmente ficcional…

MARINA

Nossa, não foi nada do que a gente esperava né?

Julio pega um maço de cigarros na mesa e começa a fumar.Marina pega o maço e vê que está vazio.

MARINA

Você pegou o último cigarro?

JULIO

…Não é fácil escrever um livro, mesmo sendo semi-autobiográfico, tem que ter o dom e ser bom no que você escreve para entreter o leitor até o final, umas 200 páginas…

MARINA

Você nem fuma.

JULIO

…não é fácil, e eu já escrevi 3…

MARINA

Você vai querer ir ainda na casa da sua mãe? Porque se você quiser a gente tem que se arrumar agora.

Julio pega os copos e vai até a cozinha. Liga a torneira e começa a lavar os copos.

int. apartamento/cozinha/banheiro dia

Julio lava os copos. Marina guarda as bandejas no armário.

JULIO

…E os livros são sobre acontecimentos diferentes, nem parecidos eles são, uma pessoa não pode criticar o estilo de um escritor, alguém com certeza deve gostar de manter uma forma de narrativa, não é? Balzac escreveu 95 histórias semi-autobiográficas da sociedade burguesa de um século inteiro e ninguém criticou ele.

MARINA

Você ligou para sua mãe para avisar que a gente vai visitar ela hoje?

Marina toma banho. Julio escova os dentes na pia do banheiro.

JULIO

E quem tem o direito de decidir o que é arte literária? Só porque eu cultivo o modo biográfico e não ficcional, eu não sou bom o bastante?

MARINA

Você podia tentar no próximo livro não usar narrador em primeira pessoa, assim vai mudar bastante o seu modo de escrever…

JULIO

Mas eu não escrevo sempre com narrador em primeira pessoa.

JULIO(off)

O que a Marina está falando, eu não tenho só narrador-personagem…

Julio pára e olha para o espelho.

JULIO(OFF)

O que eu estou fazendo eu estou até pensando como narrador primeira pessoa.

INT. APARTAMENTO/quarto dia

Julio e Marina se trocam um de cada lado da cama.

JULIO

Tudo bem eu posso tentar alguma história diferente, sem narrador personagem, sem base em histórias reais algo novo…

MARINA

Você comprou alguma coisa para sua mãe? A gente não pode chegar lá sem nada, sabe como a sua mãe gosta de receber presentes.

JULIO

…Pode ser totalmente diferente, um personagem muito diferente de mim, pode até ser de época…

Julio fecha o zíper do vestido de Marina. Marina arruma a gravata de Julio.

MARINA

Você sempre faz isso, não aguenta uma crítica e já vira uma obsessão sua, e isso não vai sair da sua cabeça, você não vai dar atenção nem para sua mãe?

ext./int. rua/carro dia

Julio e Marina vão em direção ao carro discutindo.

JULIO

Tudo bem, eu posso ter me precipitado, eu posso ser melhor que essa crítica, posso fazer algo novo…

MARINA

Você quer mesmo conversar sobre isso até a sua mãe? Você pegou a chave do carro?

JULIO

Tudo bem, desculpa, está aqui. Obrigado amor.

Julio e Marina se beijam. Entram no carro. Julio vira a chave no contato e pára.

JULIO

Mas e se o que eu estiver escrevendo acontecer?

Willian Prado

Soneto do Pavimento.

4 de novembro de 2009 by
3498875889_f51f4c6929_b

Avenida Paulista. Por Willian Prado.

Soneto N°4

Tenho hábitos regulares
De desejos, nevróticos desejos,
Nas passadas de largos bocejos,
Acolhido em becos vulgares.

Poderia ser algo angustiante,
Na plena existência do caos,
Para ao fim, pleno e ameno no vau
Não teria a calma estonteante.

Pelo regresso que trago na esperança,
De trazer a razão incrustado na mudança,
Por tradições não devemos confiar,

Há força na razão da contradição,
Expõe nas idéias de acalmar,
Os povos de uma nova geração.

Raphael Boccardo.

O Luto de Gravata Preta

4 de novembro de 2009 by
Entre a altura e o terreno

A Trapezista, por Willian Prado

Como eu me tornei paranóico?

Por que todos esperam que a vida seja mais doce do que ela realmente pode ser para você?

Você teve tudo o que qualquer pessoa pode ter de mim, o melhor de cada virtude, de cada talento, de cada sussurro que não foi desperdiçado  pelo vento ou pelo som dos carros.

Você viu cada lágrima derramada por sua causa, escorrendo sobre um rosto de cera polido por um amor dedicado por momentos decisivos de duas vidas que antes eram vazias.

Um amante aparece, entre duas almas antes gêmeas e agora distantes ou estrangeiras, vindas de um lugar imaginário endeusado por um romancista de trechos livres e livros envelhecidos pelo tempo cruelmente voraz  que assombra  as vidas  dedicadas as pessoas que ama.

O que dever ser feito agora? O que eu devo fazer do meu último aniversário?

Eu me tornei paranóico?

Ou isso é apenas mais um luto de gravata preta que eu tenho que passar?

Willian Prado


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.